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Sobre Gabriel Aciol dos Santos Machado

Atleta surdo de jiu-jitsu, faixa roxa, representando Paranaguá dentro e fora dos tatames.

Meu nome é Gabriel Aciol, tenho 25 anos, sou surdo, casado e pai de um filho. Sou atleta de Jiu-Jitsu, faixa-roxa, praticante de corrida, estudante de Tecnologia em Manutenção Industrial, instrutor de Libras e profissional da área de acessibilidade e inclusão.

No meio esportivo e nas redes sociais, também sou conhecido como Gabriel Surdo — nome que representa minha identidade como pessoa surda e minha trajetória no esporte. Minha história é marcada por desafios, superação, educação, esporte, família, inclusão e, principalmente, pela vontade de mostrar que a surdez não determina os limites de uma pessoa.

Minha infância e o início da minha história

Nasci ouvinte. Aos três meses de idade, enfrentei um dos momentos mais difíceis da minha vida: tive meningite e fiquei internado em estado grave por cerca de duas semanas em Paranaguá e mais duas semanas em Curitiba. Foi um período delicado para os meus pais, que acompanharam cada passo da minha recuperação. Segundo os médicos, minha sobrevivência foi um verdadeiro milagre.

Depois desse período, perdi a audição. Desde muito cedo, minha trajetória passou a ser marcada por desafios que eu ainda não compreendia. Com o passar dos anos, fui descobrindo minha identidade, minha forma de comunicação e minhas capacidades.

Acredito que Deus esteve presente em todos esses momentos e que cada etapa contribuiu para construir a pessoa que sou hoje.

CEDAP, Libras e a construção da minha identidade

Com 1 ano e 7 meses, comecei minha trajetória no CEDAP, uma escola bilíngue para surdos. Foi ali que tive contato com a Língua Brasileira de Sinais — a Libras —, que se tornou fundamental para minha comunicação, minha educação e meu desenvolvimento.

A Libras não foi apenas uma forma de comunicação. Foi uma porta para o conhecimento, para a convivência com outras pessoas surdas e para a construção da minha identidade. Foi por meio dela que encontrei uma maneira de expressar meus sentimentos, pensamentos e sonhos — e de me conectar com o mundo ao meu redor.

Essa experiência também me fez compreender a importância da acessibilidade comunicacional e do respeito à identidade e à cultura surda.

Os desafios na escola

Do 5º ao 9º ano, estudei em uma escola inclusiva e enfrentei bullying, isolamento e dificuldades de comunicação. Em muitos momentos, senti falta de compreensão das pessoas ao meu redor: a ausência de conhecimento sobre Libras e sobre a realidade da comunidade surda tornava a convivência e o aprendizado ainda mais difíceis.

Essas experiências deixaram marcas, mas também me ensinaram algo que carrego até hoje: a inclusão precisa existir de verdade, e não apenas no papel. Foi a partir delas que comecei a entender a importância de lutar por acessibilidade, respeito e igualdade de oportunidades.

Educação e formação profissional

Mesmo diante das dificuldades, nunca deixei de buscar minha formação. Concluí o curso Técnico em Mecânica e comecei minha vida profissional como auxiliar de mecânico e estagiário. Depois, trabalhei como auxiliar administrativo, experiência que ampliou meus conhecimentos e me ajudou a desenvolver novas habilidades.

Hoje, continuo estudando no Instituto Federal do Paraná (IFPR), onde curso Tecnologia em Manutenção Industrial. Conciliar estudos, trabalho, família e esporte é um desafio constante — e também faz parte da minha busca por crescimento pessoal e profissional.

Acessibilidade e inclusão

Minha história com a surdez me levou a transformar experiências pessoais em propósito profissional. Atualmente, sou Assessor-Chefe de Acessibilidade e Direitos das Pessoas com Deficiência na Secretaria Municipal de Inclusão de Paranaguá, onde contribuo com ações de acessibilidade, inclusão e garantia de direitos das pessoas com deficiência.

É um trabalho ligado a uma realidade que conheço desde criança. Eu sei o que significa encontrar barreiras de comunicação. Sei o que é não ser compreendido. Sei como a falta de acessibilidade pode limitar a participação de uma pessoa na sociedade.

Por isso, trabalhar pela inclusão é, para mim, uma forma de transformar o que vivi em ações que beneficiam outras pessoas. Também levo esse tema para palestras — em agosto de 2026, falei sobre inclusão e acessibilidade física e motora no simpósio sobre diversidade, inclusão e respeito às diferenças promovido pelo 9º Batalhão de Polícia Militar.

Meu objetivo é contribuir para uma cidade cada vez mais acessível, inclusiva e preparada para respeitar as diferenças.

Minha história no Jiu-Jitsu

O esporte é uma das partes mais importantes da minha trajetória. Comecei no Jiu-Jitsu aos 10 anos, na OCS Jiu-Jitsu (OCSJJ), academia onde dei meus primeiros passos na modalidade. Desde o início, o Jiu-Jitsu me ensinou valores que vão além do tatame: disciplina, respeito, humildade, responsabilidade, persistência e autocontrole.

Precisei interromper os treinos por cerca de cinco anos para me dedicar aos estudos e ao trabalho. Mesmo longe dos tatames, o Jiu-Jitsu nunca deixou de fazer parte de mim.

O retorno aos tatames

Em 2026, decidi voltar — com novos objetivos, mais maturidade e um novo olhar sobre o esporte. O retorno foi muito mais do que voltar a treinar: foi reencontrar uma parte importante de mim e provar que os sonhos podem ser retomados, mesmo depois de uma longa pausa.

O que começou como um retorno virou uma temporada de grandes desafios e conquistas. Voltei a competir e tive a oportunidade de representar Paranaguá, o Paraná e o Brasil em competições estaduais, nacionais e internacionais. Hoje treino sob a orientação do mestre Ocimar Costa (OCS Jiu-Jitsu) e do professor Robert Figueira (Projeto Juninho Pit Bull).

Sou faixa-roxa e já conquistei mais de 40 medalhas ao longo da minha trajetória esportiva. Cada uma representa uma preparação, uma luta, uma dificuldade superada e muitas horas de dedicação. Para mim, uma medalha nunca é apenas um resultado. Ela é uma história.

Competições no Brasil e no exterior

Em 2026, competi no Paraná, em Santa Catarina, no Amazonas e na Argentina. Entre os momentos mais marcantes da temporada:

• Campeão brasileiro no Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu (CBJJC), em Joinville (SC); • Campeão do International Open Classic, em Araquari (SC); • 3º lugar no AJP Tour Argentina National Jiu-Jitsu Championship, em Buenos Aires; • Vice-campeão No-Gi e 3º lugar de kimono no Manaus International Open (IBJJF), em Manaus (AM).

Cada viagem é uma oportunidade de crescimento, aprendizado e representação. Quando entro no tatame, não carrego apenas o meu nome: carrego a minha história, a minha família e o orgulho de representar Paranaguá.

Gabriel Surdo

O nome Gabriel Surdo representa uma parte importante da minha identidade. Não vejo minha surdez como algo a ser escondido. Pelo contrário: tenho orgulho de mostrar que uma pessoa surda pode competir, viajar, estudar, trabalhar, ensinar e conquistar seus objetivos.

Quero que minha trajetória ajude a dar mais visibilidade aos atletas surdos e mostre que existem muitos caminhos possíveis para quem deseja praticar esporte e chegar longe. Meu desejo é que uma criança ou um jovem surdo conheça minha história e pense: "Eu também posso."

Mais do que medalhas

O esporte me trouxe conquistas, mas também responsabilidades. Entendi que minha trajetória pode inspirar outras pessoas. Por isso, participo das iniciativas de Jiu-Jitsu Inclusivo do Projeto Social Juninho Pit Bull, ajudando crianças, adolescentes, pessoas com deficiência e alunos surdos a conhecer o esporte.

Acredito que o Jiu-Jitsu contribui para o desenvolvimento físico, emocional e social, além de ensinar respeito, disciplina, confiança e perseverança. Para mim, inclusão no esporte significa garantir que todos tenham a oportunidade de participar, aprender e evoluir.

Corrida: um novo desafio

Além do Jiu-Jitsu, encontrei na corrida uma nova forma de desafiar meus limites. Passei a participar de provas e competições, conquistando resultados na categoria ACD.

A corrida trouxe novos desafios físicos e mentais e me ensinou que cada quilômetro é uma oportunidade de superar a mim mesmo. Assim como no Jiu-Jitsu, aprendi que o resultado final é só uma parte do processo: o verdadeiro crescimento acontece durante o caminho.

Minha família

Nenhuma conquista seria completa sem as pessoas que caminham comigo. Minha esposa, Ana Luiza, meu filho, Théo, e todas as pessoas que acreditam em mim fazem parte da minha trajetória. Minha família é minha base e uma das minhas maiores motivações.

Treinos, competições, viagens e conquistas podem parecer individuais, mas, na realidade, são construídos com o apoio de muita gente. Por isso, cada medalha também carrega um pouco de quem esteve ao meu lado.

Deus e a minha fé

A fé em Deus ocupa um lugar importante na minha história. Desde os primeiros meses de vida, quando enfrentei a meningite, acredito que Ele esteve presente. Ao longo do caminho, aprendi a agradecer pelas oportunidades, pelas conquistas e também pelas dificuldades.

Nem todos os dias são fáceis. Existem derrotas, lesões, cansaço, dúvidas e momentos em que é preciso recomeçar. Mas a fé me ajuda a seguir em frente.

Deus na frente, família ao lado, disciplina no caminho e coragem para continuar.

Mais de 40 medalhas, muitas histórias

Olhar para as minhas mais de 40 medalhas é olhar para uma trajetória construída ao longo de muitos anos. Algumas representam vitória. Outras, superação. Algumas vieram depois de derrotas; outras, depois de viagens longas, treinos intensos, dificuldades financeiras, cansaço ou lesões.

Todas têm algo em comum: dedicação. E, mais importante do que contar quantas medalhas conquistei, é lembrar tudo o que precisei fazer para chegar até elas.

Meus próximos sonhos

Apesar das conquistas, sinto que minha história está só começando. No Jiu-Jitsu, um dos meus maiores sonhos é conquistar a faix

Trajetória

  1. Infância

    CEDAP e a Libras

    Com 1 ano e 7 meses, começou no CEDAP, escola bilíngue para surdos, onde teve contato com a Libras — base da sua comunicação e da sua identidade.

    Fonte: blog.alfapr.org
  2. Formação

    Técnico em Mecânica

    Concluiu o curso Técnico em Mecânica. Trabalhou como auxiliar de mecânico e estagiário e, depois, como auxiliar administrativo.

    Fonte: blog.alfapr.org
  3. Aos 10 anos

    Primeiros passos no Jiu-Jitsu

    Começou no Jiu-Jitsu na OCS Jiu-Jitsu (OCSJJ). Depois, ficou cerca de cinco anos longe dos tatames para se dedicar aos estudos e ao trabalho.

    Fonte: blog.alfapr.org
  4. 2026

    Retorno aos tatames

    Voltou a treinar e a competir, representando Paranaguá, o Paraná e o Brasil. Faixa-roxa, com mais de 40 medalhas na trajetória esportiva.

    Fonte: blog.alfapr.org
  5. Fevereiro de 2026

    Corrida Noturna da Unimed Paranaguá

    Conquistou o 2º lugar na categoria ACD, resultado que representa muito mais do que números: simboliza superação, disciplina e o início de uma trajetória promissora no esporte.

    Fonte: instagram.com
  6. Março de 2026

    Corrida do Santuário São José em Pontal do Paraná-PR

    Mais um desafio vencido!

    Fonte: instagram.com
  7. Maio de 2026

    Corrida - Maratona Internacional do Paraná

    Conquistou o 2º lugar na categoria ACD, com o tempo de 20 minutos e 40 segundos na prova de 5 km.

    Fonte: instagram.com
  8. Junho de 2026

    Campeão do International Open Classic 2026

    Título no International Open Classic 2026 (CBJJC, Kimono), em Araquari (SC).

    Fonte: instagram.com
  9. Junho de 2026

    Corrida do Porto Paranaguá

    Participou da Corrida do Porto Paranaguá, em 21 de junho de 2026. Na corrida, compete na categoria ACD.

    Fonte: instagram.com
  10. Agosto de 2026

    Campeão brasileiro de jiu-jitsu (CBJJC)

    Título no Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu 2026 (CBJJC), em 30 de agosto, em Joinville (SC), representando Paranaguá.

    Fonte: instagram.com
  11. Agosto de 2026

    Palestrante no simpósio do 9º BPM

    Palestrante do tema Inclusão e acessibilidade física e motora no simpósio sobre diversidade, inclusão e respeito às diferenças promovido pelo 9º Batalhão de Polícia Militar.

    Fonte: jblitoral.com.br
  12. Setembro de 2026

    Manaus International Open 2026

    Vice-campeão NO-GI e 3º lugar de kimono no Manaus International Open (IBJJF), disputado em 19 e 20 de setembro, em Manaus (AM).

    Fonte: instagram.com
  13. Setembro de 2026

    AJP Tour Argentina 2026

    2º vice-campeão no AJP Tour Argentina National Jiu-Jitsu Championship 2026, em Buenos Aires, representando Paranaguá.

    Fonte: instagram.com
  14. Atualmente

    Assessor-Chefe de Acessibilidade e Direitos das Pessoas com Deficiência

    Atua na área de acessibilidade e inclusão na Secretaria Municipal de Inclusão de Paranaguá. Também é instrutor de Libras.

    Fonte: blog.alfapr.org
  15. Atualmente

    Tecnologia em Manutenção Industrial (IFPR)

    Estudante de Tecnologia em Manutenção Industrial no Instituto Federal do Paraná.

    Fonte: blog.alfapr.org
  16. Atualmente

    Jiu-Jitsu Inclusivo — Projeto Social Juninho Pit Bull

    Participa das iniciativas de Jiu-Jitsu Inclusivo do projeto, levando o esporte a crianças, adolescentes, pessoas com deficiência e alunos surdos.

    Fonte: blog.alfapr.org

Conquistas

AnoEventoCategoriaResultado
2026Corrida - Maratona Internacional do Paraná
Fonte: instagram.com
ACD2º vice-campeão
2026Corrida da AMIRUN
Fonte: instagram.com
ACD5º Lugar
2026Corrida do Santuário São José em Pontal do Paraná-PR
Fonte: instagram.com
ACDCampeão
2026Corrida Noturna da Unimed Paranaguá
Fonte: instagram.com
ACD2º vice-campeão
2026Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu (CBJJC) — Joinville/SC
Fonte: instagram.com
Kimono · faixa roxaCampeão brasileiro
2026Manaus International Open (IBJJF) — Manaus/AM
Fonte: instagram.com
NO-GI · faixa roxaVice-campeão
2026Manaus International Open (IBJJF) — Manaus/AM
Fonte: instagram.com
Kimono · faixa roxa3º lugar
2026AJP Tour Argentina National Jiu-Jitsu Championship — Buenos Aires
Fonte: instagram.com
Kimono · faixa roxa2º vice-campeão
2026International Open Classic (CBJJC) — Araquari/SC
Fonte: instagram.com
Faixa roxaCampeão